Workshop: Imprensa Braille – Passado e Presente

A Reabilitação Funcional de Cegos Adultos, do Centro de Reabilitação da Areosa realizou o workshop “Imprensa Braille: Passado e Presente”, no dia 15 de outubro de 2014.

A realização deste workshop teve como principal objetivo a comemoração do Dia Mundial da Bengala Branca, símbolo de independência, liberdade e confiança das pessoas cegas, assim como o reconhecimento da sua autonomia e plena participação na sociedade.

O programa do workshop “Imprensa Braille: Passado e Presente”, consistiu em três momentos:

  1. Breve apresentação histórica da Imprensa Braille;
  2. Apresentação de como se produz um livro em braille;
  3. Exemplos da utilização do braille nos tempos modernos.

O workshop contou com dois oradores convidados – António Santos ( revisor braille) e Ana Rothes (tradutora braille), ambos profissionais das Edições Braille da Santa Casa da Misericórdia do Porto.

A adesão a este workshop foi muito positiva, possibilitando a interacção entre os oradores e os participantes e permitindo a discussão de temáticas pertinentes e importantes para os cegos.


ORGANIZAÇÃO:

Reabilitação Funcional de Cegos Adultos

Centro de Reabilitação da Areosa – Instituto da Segurança Social. I.P.

Centro Distrital da Segurança Social do Porto

Rua D. Afonso Henriques nº 549 – 4435-005 Rio Tinto

Telefones: 229772150/1/2/3

Fax: 229772159

Anúncios

A importância do uso da bengala

Muitos atribuem à bengala um instrumento de identificação que aquele individuo é “cego”. Esta concepção na maioria das vezes surge da própria pessoa cega e que por preconceito consigo mesmo, muitos se recusam ao uso da bengala.
Mas a bengala é símbolo de vitória e independência para aqueles que a usam, pois com ela podemos perceber as mais diferentes sensações táteis. É com ela que o cego conquistou não só a sua independência e autonomia, mas conquistou também o respeito de ser um cidadão atuante, pronto a ingressar na faculdade e no mercado de trabalho, assim também como a admiração de todos.
Se desde cedo a criança cega ou com visão reduzida for consciencializada e estimulada pela família a usar a bengala, poderá lidar muito mais com as dificuldades próprias e peculiares da infância, do que com uma sobrecarga de problemas e tabus adicionada pelos receios, incertezas e preconceitos do adulto. O mesmo certamente acontece com o adolescente e com o adulto, pois as dificuldades e características destas fases serão enfrentadas e resolvidas sem o stress da preponderância da sua condição de deficiente visual.

Conheça um pouco mais como tudo começou…

“Em 1945, o exército americano sentia-se passivo e inoperante diante dos soldados cegos na guerra; 2358, recrutas recebendo pensão do governo e com a sua mobilidade comprometida. Primeiro Tenente Oftalmologista, Richard Hoover, junto com a sua equipa, propôs estudar e tratar o problema da cegueira e o mecanismo da marcha. Hoover criou um método revolucionário de locomoção. Usando um instrumento que lembrava um bastão, mas com função, material e comprimento diferentes. A aplicação desta técnica foi um sucesso extraordinário. Hoover desenvolveu um sistema de exploração para ser efetuado com o toque da ponta da bengala, que transmitiria todas as sensações táteis detectadas por ela. Em 1948, terminada a primeira etapa, Hoover estendeu o projeto aos demais soldados cegos. Vendo o interesse da sociedade civil, educadores e familiares dos cegos civis, a partir daí difundiu-se, a todos os interessados, a técnica da bengala longa. A técnica de Hoover pela sua comprovada eficácia, segue como sendo a única em vigor em todo o mundo. Em 1957, Joseph Albert Apenjo, enviado pela ONU ao Brasil, veio transmitir as técnicas de orientação e mobilidade ao primeiro grupo de profissionais interessados.”